Leio de mais. Oiço de mais. Vejo de
mais. Estou parada de mais, recebendo mais do que consigo receber.
O céu parece-me demasiado azul. A
música é mais triste do que mesmo, os mais tristes, precisaríamos.
Deixem-me sair daqui. A única coisa
que sei fazer é sentir. Preciso que me ensinem a enganar-me. Preciso que me
ensinem a interromper.
Vivo de mais. Durmo de menos. Acordo
para acordar os outros. É como se a luz me acompanhasse. É como se o sol,
quando nascesse, viesse propositadamente acordar-me.
Esta música afastou-me da tua
respiração. O teu cabelo levanta e sossega, sossega e levanta, espalhado pelo
lençol, como se fosse distribuído pelos meus dedos, que sobem por debaixo dos
cobertores, para te conhecer e tocar…

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